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Moda e Beleza / Publicada em: 22/12/2014
Brasileiras estão sumindo do circuito internacional da moda.
O que acontece com as modelos brasileiras que têm sido deixadas de lado pelo exigente mercado da moda?

Pouco mais de 10 anos atrás, o mundo conhecia Gisele Bündchen, a supermodelo brasileira, que chegou rapidamente a ser chamada pelos gurus da moda, merecidamente de Übermodel, que significa ‘além de’ uma modelo. E Gisele foi realmente mais que uma modelo, transformando-se rapidamente, quase que de forma instantânea, em um ícone para um mundo que até então já havia conhecido grandes modelos como Twiggy e Cindy Crawford.

Ela estampou a capa de praticamente todas as revistas desejadas pelas modelos e fez todos os trabalhos que uma modelo poderia sonhar em fazer. Com seu trabalho, Gisele abriu portas para muitas modelos brasileiras conquistarem seu espaço no competitivo mundo da moda. O Jet Set ficou repleto de modelos brasileiras, lindas e com corpos esculturais, o que as diferenciava e as colocava no mapa da moda mundial mostrando ao mundo a beleza única da mulher brasileira.

Surgiram nessa leva as tops Mariana Weickert, Ana Claudia Michels, Alessandra Ambrósio, Adriana Lima, Fernanda Tavares, dentre tantas outras.
Foi de fato um momento mágico para o país, que passou a ser conhecido como o celeiro das supermodelos. Muitas delas fizeram parte do time das angels da badalada marca americana Victoria’s Secret.

Por que o mercado tem preterido as brasileiras?

De um tempo para cá, o Brasil deixou de revelar grandes modelos com destaque no circuito internacional. Isso fez com que muitas perguntas ficassem no ar. A mulher brasileira continua a mesma, é óbvio. É uma beleza única e diferenciada. Mas, então, por que o mercado não quer mais as brasileiras?

A empresária Mônica Monteiro, 40 anos, proprietária da MM Models e amiga de Gisele, dá uma pista, ao expor seu pensamento sobre alguns pontos que teriam levado a top model brasileira a alcançar tanto sucesso.

“A Gisele sempre teve muita disciplina, muita força de vontade, sempre com muita sede de provar que era possível. Acordava cedo, nunca faltava nos castings. Uma menina sempre alegre, sorridente, e que acreditava em seu próprio potencial. Foram fatores determinantes para ela chegar onde chegou”, diz Mônica.

São qualidades que, segundo Ming Liao, proprietária da Ming Management, em entrevista para o site Finissimo, faltam às atuais modelos brasileiros que “estão em decadência. Falta persistência e profissionalismo. O mercado exige muito mais que somente beleza”, constata Ming.

Para Marcus Panthera, 57 anos, fundador e presidente da famosa Mega Models, uma das agências mais tradicionais de São Paulo e que hoje mantém uma unidade em Miami, nos Estados Unidos, o celeiro do Brasil está realmente secando. “Antes existiam concursos de modelos que buscavam o que o mercado internacional procurava. Agora não mais. Migraram para o lado comercial, de acordo com o gosto brasileiro, e estão ficando desatualizados. Além disso, a modelo brasileira se tornou muito cara. Temos que pagar passagens, estadia e ainda dar o que chamamos de "pocket money" adiantamento semanal de dinheiro para elas viverem. Modelo nenhuma do mundo pede isso”, afirma.

O que fica claro a partir dos comentários e análises ouvidos por toda parte no mercado exigente da moda – e que está na raiz da diminuição do investimento da maioria das agências nas modelos brasileiras – é que estas, ao chegarem ao exterior têm preferido trocar o trabalho por diversão. Esquecem que ser modelo é uma profissão que exige garra, atitude, e acima de tudo, responsabilidade e comprometimento.

Segundo a opinião de boa parte dos que entendem do meio, as modelos brasileiras precisam demonstrar que são disciplinadas. É a condição para que agentes e agências acreditem e voltem a investir nesse segmento, que sempre foi, reconhecidamente, um celeiro de beleza admirada muldialmente.
Para o fundador e presidente da famosa Mega Models, uma das agências mais tradicionais de SP e que hoje mantém uma unidade em Miami nos Estados Unidos, o celeiro do Brasil está realmente secando. “Antes existiam concursos de modelos que buscavam o que o mercado internacional procurava. Agora não mais. Migraram ainda mais para o lado comercial, de acordo com o gosto brasileiro, e estão ficando desatualizados.

Além disso, a modelo brasileira se tornou muito cara. Temos que pagar passagens, estadia e ainda dar o que chamamos de "pocket money" adiantamento semanal de dinheiro para elas viverem. Modelo nenhuma do mundo pede isso”, analisa Marcus Panthera, 57 anos.

Uma coisa fica muito clara, e é perceptível o porquê de muitas meninas não vingarem tanto no exterior como antes. Maioria das agências tem investido bem menos nas brasileiras, por saber que ao chegarem ao exterior, preferem trocar o trabalho por diversão, e esquecem que ser modelo é uma profissão que exige garra, atitude, e acima de tudo, responsabilidade e comprometimento. Precisam de mais disciplina para agentes e agências acreditarem mais e voltarem a investir nesse que sempre foi um celeiro de beleza.

CHARLENE SANTANNA & EDNA PEREIRA
Publicada em: 22/12/2014
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