No mundo em que baixar qualquer tipo de música pela internet é a coisa mais fácil do mundo, que a venda de CDs é cada vez mais escassa, e uma indústria fonográfica desvalorizada, ainda encontramos aqueles que cultuam os discos de vinil com se fosse uma religião. A qualidade perfeita da música de um “bolachão” é o nirvana; o prazer de aguardar um artista ou um grupo famoso “lançar” um álbum novo é o processo perfeito da expectativa.
Apesar dos discos serem coisas de “dinossauros”, existe alguns jovens que preferem o som do vinil, ao todo moderno e arranjado efeitos das músicas baixadas na internet. Com influências de seus pais e até mesmo de avós, trocam computadores a uma loja de discos, daquelas com tacos no chão, aparência rústica e bem simples. Há também aqueles que montam blogs e sites na rede mundial de computadores para trocas de informações sobre discos raros.
Alcides Campos, dono da loja Ventania Discos, afirma que os jovens de hoje não estão muito interessados em comprar discos e colecionar, querem apenas ter a música ao seu alcance com facilidade. “O mercado não é prá eles, com certeza”, diz Campos.
Colecionador há mais de 30 anos, aborda que a indústria fonográfica não tinha o conhecimento de que o mundo virtual cresceria tanto. Para ele, a culpa é das próprias gravadoras pelo péssimo desempenho em relação à pirataria. “A pirataria talvez seja culpa da própria indústria, pois optou em lançar produtos de baixa qualidade musical dirigida às classes mais pobres. O público que não pode pagar o preço pelos CDs, a corrupção generalizada que impera no Brasil, fez com que as grandes gravadoras não conseguissem enfrentar o mercado paralelo” pondera Campos.
Em relação a investimentos da indústria fonográfica no Brasil, para tomar fôlego e “ressurgir”, Alcides apoia a volta da fabricação de discos no país, assim como acontece no exterior, onde obteve um aumento significativo da produção de vinil.
Já o vendedor de discos Fernando do Espíritu Santo, critica que as gravadoras levaram um “tiro no pé” ao começarem a produzir e comercializar os CDs ao invés dos discos. "O CD surgiu para ocupar um espaço, mas tem uma durabilidade questionável", afirma. Para ele, a indústria fonográfica perdeu mais credibilidade no momento em que as gravadoras deixaram de recolher direitos autorais de músicos.
Fernando ainda ressalta ações contra os vendedores ambulantes de CDs falsificados. Considera que as autoridades devem ter foco para “amenizar” a pirataria. “Não adianta prender o camelô que vende se não pega a origem da ‘coisa’. Onde estão as máquinas que fazem 2,3 mil CDs por dia?”, reclama.
No Brasil, existe um boato de que as gravadoras voltarão a produzir o vinil, como forma de incentivo a não pirataria. Fernando revela que mesmo se houvesse o retorno dos discos, os de teor religiosos são os primeiros da fila. “A fábrica de Belford Roxo, maior do Brasil nesse setor, tem uma demanda para se fabricar discos, mas as igrejas evangélicas serão primeiramente beneficiadas. Nada confirmado, apenas fofoca entre os amantes do vinil” finaliza.
