“Eu gostaria que a minha adolescência tivesse sido como a de qualquer adolescente da minha idade. Mas ao contrário disso eu passei essa fase da vida lutando para ficar viva”. Essa foi uma das declarações de Amanda Constantino de Oliveira, que aos 11 anos descobriu que tinha tumor cerebral. A descoberta foi desesperadora, pois nunca tinha passado pela cabeça da pequena menina ter uma doença tão grave.
“Isso altera o sentimento de qualquer pessoa, no meu caso, então, foi um pouco pior. Afinal eu estava na pré-adolescência, vivendo as mudanças físicas e psicológicas da idade. Receber uma notícia dessas é um choque enorme. Você perde o chão, fica fora de si. De uma hora para outra soube que tinha de marcar a cirurgia. Não tive como me preparar psicologicamente para enfrentar aquela situação”, conta Amanda.
Segundo Amanda falar de forças nesse momento é complicado, pois se perde o equilíbrio emocional. “Deus me deu muita força para enfrentar aquele momento difícil; eu precisava estar forte para passar tranqüilidade aos meus pais, pois eu sabia que mesmo me dando todo o apoio e atenção, eles estavam sofrendo tanto ou até mais que eu”, conta emocionada. “Querer viver foi outro motivo que fez com que eu não desistisse. Sempre fui muito forte e tinha que encarar mais aquele desafio”, acrescenta.
Ao longo de oito anos a estudante fez quatro cirurgias para a retirada do mesmo tumor. Tinha acompanhamento médico e sessões de quimio e radioterapia. Um tratamento longo e cansativo que exige muito do corpo. “Durante a quimioterapia eu ficava muito fraca, não tinha apetite. Ainda botava para fora o pouco que comia, pois os medicamentos provocavam muito vômito”, explica.
Apesar de toda a rotina do tratamento Amanda Oliveira se sente feliz e privilegiada por estar viva. Cada dia mais cheia de esperanças, ela pensa no dia em que vai poder dizer que está curada. “Os resultados dos últimos exames me deixaram com mais vontade de viver. Quero começar minha faculdade de Administração, quero prestar um concurso público para entrar no Banco do Brasil, quero casar e quem sabe, um dia, ter filhos”, diz, como quem reza. “Também quero ganhar muito dinheiro para aproveitar a vida e, de preferência casar com um homem que também seja muito rico”, conclui sorrindo.

