
São Paulo não comporta mais sua frota de veículos em franco crescimento e busca alternativas para lidar com os problemas causados. Dentre elas, elenca-se o Rodoanel, com o trecho sul inaugurado no dia 1° de Abril, e a ampliação da Marginal Tietê, que ganha uma nova pista. Mas as dificuldades com transporte na cidade são antigas. Prova disso é o rodízio municipal criado pelo consultor Fábio Feldmann, em 1995, que agora, 15 anos depois, pode ser ampliado.
O Departamento Nacional de Trânsito em São Paulo (Detran) afirma não possur dados da frota daquela época, mas em 1998 a capital já somava 4,7 milhões de veículos nas ruas. Hoje, este número passa dos 6,7 milhões, um crescimento de 142,5%, o que levou o vereador Ricardo Teixeira (PSDB) a propor a ampliação do rodízio à Câmara – em discussão, deve ser votado ainda neste ano.
Segundo o parlamentar, a intenção é aumentar de duas para quatro as placas proibidas de circular, retirando das vias 25% dos veículos diariamente. Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Transportes informou acompanhar a discussão e que tende a acatar decisão do legislativo, sinalizando assim a sanção municipal da proposta, caso seja aprovada na Casa.
E entre a população há quem concorde. Uma pesquisa encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo apurou que 41% dos entrevistados apóiam a medida. “Mas ela (a ampliação) será paliativa”, afirma Mauricio Broinizi, coordenador do Movimento, que defende o investimento em transporte público como solução. “Na falta de um transporte confortável e eficiente, as pessoas optarão por um segundo carro”, alerta.
Opinião esta semelhante à do engenheiro e presidente da Associação Brasileira de Monitoramento e Controle Eletrônico de Trânsito, Silvio Médici: “as mudanças que envolvam o rodízio sempre terão prazo de validade limitado, pois o aumento da frota vai eliminando a eficiência inicial da medida”. Médici ainda cita como exemplo a Cidade do México, que ampliou seu rodízio: “eles continuam vivendo uma situação de caos agravada pelo aumento da poluição, pois muitos usuários compraram um segundo carro, mais velho”.
Ambos veem no transporte público a saída do transtorno no trafego da capital. Neste sentido, Mauricio sugere a criação de corredores de ônibus e metrô: “hoje a cidade favorece o carro e esquece o metro”, e Médici complementa: “a solução tem que levar em conta diversas políticas, e as medidas restritivas devem ser usadas para que a administração pública realize os investimentos necessários no transporte coletivo”.
Mas até lá o engenheiro já dá sua previsão aos motoristas: “a expectativa é de que ainda vamos viver dias de muitos congestionamentos e dificuldades na movimentação da cidade”.
Ampliação do rodízio
Sendo sancionada pelo prefeito, ficariam impedidos de circular nas áreas determinadas, considerado o final das placas:
0, 1, 2 e 3: segundas-feiras
4, 5, 6 e 7: terças-feiras
8, 9, 0 e 1: quartas-feiras
2, 3, 4 e 5: quintas-feiras
6, 7, 8 e 9: sextas-feiras
